Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

A vitória de Manuela Ferreira Leite leva-nos a fazer um ponto da situação política. Na verdade são vários pontos. E quase todos muito chatos. Por exemplo, a seriedade e a respeitabilidade da nova líder. Qualidades sem dúvida necessárias num partido um tanto caótico. Mas o preço pode ser muito alto. Imagino os futuros títulos nas primeiras páginas dos jornais: “Sócrates perde a cabeça com a proposta do PSD de aumentar zero vírgula zero, zero, três por cento o salário mínimo nacional”. “Ferreira Leite inflexível: o IVA não pode descer”. “Mais penhoras, exigem os sociais-democratas”. Sócrates vai parecer uma menina ao lado da Manuela. Suponho que os debates na Assembleia serão muito mais subtis. Será preciso um apurado conhecimento da política e da economia para podermos distinguir as ténues diferenças entre o Governo e o maior partido da oposição. Quando Sócrates tentar baixar um cêntimo, nem que seja num pacote da manteiga, que ninguém se surpreenda se Ferreira Leite acusar o Primeiro-ministro de ser demagógico e de querer levar o país à ruína. Não subestimemos a Manuela. A estratégia do PSD faz sentido. Incentivando ao Partido Socialista a incrementar a sua política de austeridade e de combate ao défice, estará a dar ao Governo o trabalho sujo e impopular. O PSD é um partido do poder, como agora o chamam. Depois, em 2009, o PSD fará a grande festa. Baixarão os impostos, mandará a gente das Finanças para o exílio, a gasolina estará ao alcance de qualquer sem-abrigo, até porque todos os sem-abrigo terão carros. E nós, os que sobrevivemos, vamos casar e viveremos felizes e contentes para sempre. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:32
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