Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

No Continente muitas pessoas indignaram-se com a última decisão de Alberto João Jardim de não cumprir a lei antitabagista. Na Madeira pode-se fumar nos bares e os proprietários de recintos com mais de cem metros quadrados poderão optar livremente por permitir fumar ou não. Há pessoas que acham que esta recusa de aplicar esta e outras leis da República são desafios que Jardim faz à Nação. Eu não acho nada disso. Jardim faz uso de prerrogativas exclusivas do dirigente de um território autónomo. Por outro lado, admito que também tem piada. Por exemplo, na Madeira não é obrigatório para os condutores o uso do cinto de segurança. Em contrapartida não é fácil abortar nem drogar-se na ilha já que ambas actividades não são legalizadas, como no Continente. Como podem verificar, Jardim é liberal nalgumas coisas e reaccionário noutras. Pode-se dizer muito sobre o Presidente Regional da Madeira mas uma coisa é certa: o homem é português. E como todo o português, julga com razão que na sua casa manda ele. Alguém objectaria esta opinião com um mais que óbvio "a Madeira não é a casa dele". Essa verdade institucional é supérflua. É natural que alguém que governa há trinta anos a sua terra natal considere os substantivos casa, ilha e Madeira como sinónimos. Quem no seu lugar não faria o mesmo? Outra característica que define Jardim é que nessas contradições legislativas que ele aplica há uma coerência familiar compreensível. Como filho quer ter licença para fazer supostas coisas de adultos como fumar ou andar de carro sem cinto. Como pai, não aceita que os jovens se droguem ou abortem. O homem, por mais que muita gente custe a perceber, é previsível. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:44
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