Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

O Partido Comunista e o Bloco de Esquerda pediram explicações a Cavaco Silva por chamar "Dia da Raça" ao que entretanto se tornou “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas". Não percebo a indignação das pessoas ditas progressistas com o pequeno erro onomástico do nosso Presidente. Chamar dia da Raça ao dia de Portugal é apenas uma dessas coisas em que a memória nos prega uma partida e as pessoas que nos ouvem aproveitam para dizer que somos fascistas ou que estamos velhos e gagás. Dizer Lourenço Marques em vez de Maputo já deixou de ser uma afirmação política para ser apenas uma pequena regressão aos tempos de quando as férias eram inocentes e as raparigas virgens. Por outro lado, chamar "Dia da Raça" a uma celebração nacional, embora possa ser um bocado megalómano não deixa por isso de ser um dos muitos exageros tão próprios das afirmações nacionais feitas por todos os povos de todos os países. Basta ouvir os hinos nacionais para percebermos a modesta e humilde ideia que os povos têm de si mesmos. Lembremos que foi a Espanha e não a Alemanha que começou com esta história da raça. Ela é comemorada também por toda a América hispânica para recordar a descoberta de Colombo, um português de Génova com uma tripulação de delinquentes. Mas voltando ao dia da raça de Cavaco, acredito que isto aconteceu por uma economia de palavras, pois todos sabemos que o Presidente de todos os portugueses é um homem de poucas palavras. "Dia da Raça" são quatro sílabas em lugar de "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas" que são dezanove. Se isto não é Cavaco Silva no seu melhor, vou ali e já venho. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:28
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO