Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Fez-se um inquérito internacional sobre a identidade nacional. O objectivo foi apurar as qualidades essenciais que definem a nacionalidade. Eu gosto destes estudos, não por serem decisivos mas porque são uma maneira mais engraçada de comparar as taras e manias dos povos, sem que isto seja um campeonato. Têm mais piada do que uma anedota de alentejanos e menos graça do que a nossa experiência pessoal. Por exemplo, neste estudo concluiu-se que nascer em Portugal e ser católico são as qualidades mais importantes na nossa identidade. Começo pelo fim. Parece-me normal que se identifique o Catolicismo com Portugal. São muitos anos de crimes, traições e paixões em conjunto. No entanto, é um facto que a religião católica já viveu melhores tempos. Mas o que me faz espécie é que esta nossa qualidade só seja ultrapassada pela Bulgária e a Polónia. Lutar com estes dois países pelo primeiro lugar da religiosidade como factor determinante da nacionalidade faz-me duvidar sobre a seriedade desta competição. O mesmo acontece com a importância de ter nascido na terra. Empatados connosco estão as Filipinas, a Venezuela, a África do Sul e, imaginem, a Polónia. Isto quer dizer que consideramos importante o que países bastante mais novos que nós também julgam ser importante. Dos africanos já todos sabem. Da Venezuela não é preciso falar. Dos filipinos basta dizer que se chamam assim por causa do rei de Espanha Filipe II. A Polónia é diferente. É só alguns séculos mais nova que nós, mas foi tão invadida pelos vizinhos que é normal que se preocupem não só com o local de nascimento como com a data. Os pais podem ter sido alemães e os avós russos, e assim por diante. Mas nós, portugueses, preocuparmo-nos com tão pouca coisa? Se até o nosso putativo rei nasceu na Suíça! Eu disse que estes estudos têm mesmo piada. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:34
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