Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
Suponho que todos saibam da proposta disparatada do Arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, de incorporar a lei islâmica, a Sharia, no sistema jurídico inglês. Julgo que toda a gente se indignou aquilo que se tinha de indignar, eu inclusive. Já não há, ou não deveria haver, pachorra para esta história do multiculturalismo e do politicamente correcto. Eu adoro estrangeiros tanto como adoro os autóctones. Quanto mais não seja, em alguns casos, por razões gastronómicas. Mas em questões religiosas as coisas podem dar lugar a oportunistas. Imaginemos um homem que prefere viver a sua juventude como cristão. É óptimo, pode beber e tal. Quando se excede nos prazeres, pode sempre recorrer à confissão. Depois, chegado o momento de se casar, pode optar pelo islamismo: a mulher passa a ficar fechada, escondida e juridicamente controlada. Quando envelhece, nosso homem escolhe uma outra religião, budista ou xintoísta, por exemplo. Tanto uma como a outra acreditam na reincarnação. O homem morre e reencarna, e tudo volta ao mesmo. Parece tão perfeito, como esses planos de poupanças que os bancos gostam tanto de oferecer. Tenho a certeza de que o Arcebispo Anglicano não percebeu as consequências da sua proposta. Não é um problema de integração religiosa. Pelo contrário, parece mais uma espécie de livre comércio da vida eterna. Fora isso, tudo bem.


Publicada por Carlos Quevedo às 22:48
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