Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Bem sei que chego tarde e que estamos todos fartos de ouvir falar do "Não" irlandês ao Tratado de Lisboa. Mas julgo que ainda vou a tempo de dar a minha contribuição neste debate que tanto aflige a população portuguesa. Da mesma maneira que os portistas tem toda a razão em exigir que todo o gabinete jurídico do Futebol Clube do Porto vá para o olho da rua, os países que participaram na redacção do Tratado de Lisboa deviam reformar compulsivamente todos os génios burocráticos da União Europeia por organiza uma ratificação sem prever a possibilidade da não ratificação por algum país-membro. Onde se viu alguma vez não ter um plano B? Qualquer cretino tem um plano B. Ainda mais cretinos muito bem pagos. Acho bem que os irlandeses votassem não a um texto que nem em gaélico eles percebiam e que nós nem em português tentamos perceber. O outro aspecto interessante é que se diga que o nosso governo viu comprometida a sua credibilidade por culpa dos simpáticos alcoólicos irlandeses. Tretas. Sócrates é para o Tratado, aquilo que Durão Barroso foi para a invasão do Iraque. Ele só emprestou a casa e pagou as bebidas. De resto, já tinha sido tudo cozinhado em Bruxelas, Luxemburgo ou Estrasburgo no melhor dos casos. Apostava mais em Paris e em Berlim, mas isso sou eu. Quero consolar Sócrates, que disse que a sua carreira política estava em jogo com a ratificação do tratado. Não está nada. É mais, ninguém se lembra. Quem era o primeiro-ministro da Holanda quando se assinou o tratado de Maastricht? Ninguém se lembra. Sócrates, pá: esquece. Não te deixes levar por delírios de grandeza. Tenho a certeza de que os irlandeses, se pudessem falar contigo, te diriam aquilo que dizemos quando queremos acabar um namoro: "Não és tu. Sou eu". Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:51
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