Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Quem nas últimas semanas tenha ouvido pacientemente este pouco humilde servidor, terá percebido como consegui, com a subtileza própria de andar muitos anos nestas vidas, não falar directamente nem do Euro nem da nossa Selecção. A explicação é simples. Se tivessem ganho e continuariam na corrida pelo título, seria impossível dizer uma coisa de jeito com o mínimo de interesse. Nestas coisas do desporto, aqueles que falam primeiro, falam duas vezes. Se continuassem a ganhar não haveria ouvidos nem tempo de antenas suficientes para tantas bocas. Quando se perde a coisa muda um bocadinho de figura. Continuam todos a falar dos jogos mas numa versão mais dramática ou depressiva, consoante os estilos. Mas sobretudo, a grande diferença é que os comentadores se diferenciam entre aqueles que “já sabiam que isto ia acontecer”, e entre os mais divertidos estão aqueles que querem sangue. Mesmo na sua versão metafórica. Aqui é que o bode torce o rabo. E digo bode porque acreditem que não há coisa pior que não poder expiar um bode expiatório. Não se pode despedir o treinador: Scolari vai-se embora com um contrato igual à soma de todas reformas de todos os directores-gerais que alguma vez passaram e passarão pela Caixa Geral de Depósitos. O Ronaldo, coitadinho, vem divulgar que teve um dói-dói no pé e só agora vai tratar do assunto para ir para o Real Madrid em condições. Quem tem coragem de lhe dizer que ainda não é o melhor do mundo? Ricardo vai a Cuba para ser operado às cataratas. Não fica bem bater no ceguinho. Quaresma e os dez invencíveis contra a Suiça continuam amuados. Não podemos gritar a jogadores bipolares. Madaíl provavelmente vai seguir os passos de Durão Barroso e algum tacho terá na Suíça. O único bode ao alcance de todos é o roupeiro. De que estamos à espera? Rua com ele. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:33
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