Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Começa a ser preocupante a tendência geral de falar em dinheiro. Todos ganhamos pouco, isto é um facto. Mas não é justificação suficiente para julgar uma pessoa pelo salário que aufere, que vai auferir o que auferiu. Diga-se de passagem que gosto do verbo auferir. É mais educado do que dizer "levar" e mais curto do que dizer "tirar determinado rendimento". Mas voltando ao tema monetário, é injusto que se diga de Scolari que se vendeu ao Chelsea por dezoito milhões de euros, ou que Ronaldo só pensa em dinheiro só porque vai ganhar uma fortuna em Espanha. Dou estes dois exemplos porque são utilizados nos dois sentidos possíveis que são o de admiração e desprezo. Admiração por razões óbvias que são os nossos salários. O desprezo é motivado pela nossa decepção: não nos deram aquilo que esperávamos deles. Quando se trata de pessoas menos mediáticas e mais cinzentas como aquele vereador Salter Cid que acha pouco dezoito mil euros de reforma outorgados pela PT, o lado admirativo deixa de existir. Só provoca um irracional sentimento de injustiça e condenação para o homem. Sugiro que não comparemos as nossas folhas de pagamentos com as daqueles que ganham mais que nós. É adolescente e, portanto, estúpido, competir para saber quem tem a folha maior. Já para não mencionar o potencial gay da própria comparação e das reacções que pode provocar. Qualquer juízo de valor baseado na comparação é suspeito. É melhor utilizar uma medida mais pessoal, mais fundamentada na nossa experiência. Scolari vai ganhar milhões? Bem feita para Abramovitch. Ronaldo vai por oitenta milhões? Boa para a Nereida. Salter Cid quer mais dinheiro? Toma, PT, que é para aprenderes! Tenho a certeza de que a nossa virilidade ganha com esta atitude. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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