Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Desde que estamos na União Europeia somos obrigados a frequentar países ricos que não sabem o que fazer nos seus tempos livres. Em Genebra, na Suiça, o Tribunal dos Direitos dos Animais, um órgão simbólico que faz julgamentos simbólicos e promulga sentenças também elas simbólicas, condenou, entre vários dirigentes políticos europeus, Jorge Sampaio e Durão Barroso por maus-tratos a touros. Ainda foram culpados por "tirar uma satisfação evidente da tortura de touros". Vamos pôr de parte o óbvio. Isto é, estamos a falar de uma brincadeira de adultos que defendem os direitos dos animais. Claro que esta é uma brincadeira cara: convidam jornalistas, publicitam o acontecimento e fazem lobby. No entanto, se a reinação encobre algum simbolismo, podiam ser mais sinceros. Neste caso particular, condenar dois dirigentes que já pouco importam até nos seus países de origem. Brincar com estas assépticas criaturas que, mesmo que quisessem, já não fazem mal a ninguém, e sobretudo a esta organização de brincalhões, reduz a nada o valor simbólico que pretende. Por outro lado, se querem brincar a sério, seria mais empolgante que colocassem no banco dos réus não estes perecidos dirigentes mas o povo que aclama e exige touradas. Duvido que tenham a coragem de condenar ainda que simbolicamente o povo espanhol ou português pela sua devoção à tauromaquia. Seria politicamente incorrecto que tal coisa sucedera. É mais inofensivo brincar com Barroso (sempre foi) e com Sampaio (agora na reforma merecida) do que com o povo. Eu sou sincero: gosto de touradas mas se fossem proibidas, sobrevivia. Não gosto que se maltratem os animais, a não ser quando o meu gato urina na sala. Por outro lado, exijo que o meu bife não tenha tido relações com um toureiro. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO