Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Em geral, quando há conflitos entre trabalhadores e patronato, acho que recorrer às greves é um recurso sempre a evitar. Pela simples razão de que prejudica terceiros e torna essa medida de força egoísta e pouco responsável. O recente lock-out das companhias de transporte, além de ilegal, foi um exemplo desse autismo corporativo. Como é natural, há excepções, aliás, há sempre excepções seja para o que for. Por exemplo, quando as forças de segurança estão descontentes, para citar uma situação de escaldante actualidade, julgo que é prioritário contentá-las. Mas gosto quando as fazem esperar um pouco. Nesse caso, a Polícia, como não pode deixar de cuidar aos cidadãos, aplica uma medida a que chama "atitude pedagógica preventiva exagerada". Quer isto dizer que, em vez de os agentes passarem uma multa, explicam ao infractor a falta cometida e fazem-no jurar pelos filhos que nunca mais vai repetir a gracinha. Acho muito bem. Aliás, gostaria que a aplicassem por hábito e não como medida de coerção à administração pública. Mas pronto, conformemo-nos com as poucas vezes em que isto acontece. É obvio que esta pedagogia preventiva se aplica a infracções menores. Ninguém julgue que se atropelar uma mulher grávida na passadeira, o senhor agente lhe vai dizer: "Amigo, não faça uma coisa destas e logo com uma grávida… Vá-se lá embora e que esta seja a última vez". Suponho que para serem tão indulgentes, só se tivessem seis meses de salários em atraso. Isto porque já têm de pagar os uniformes e comprar as pistolas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:38
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