Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

No mundo da política estamos habituados a ouvir opiniões contraditórias. É normal quando são proferidas por lados opostos. Mas ontem aconteceu uma coisa curiosa: foram proferidas palavras condenatórias ao Governo totalmente opostas entre si. Nas matemáticas menos com menos dá mais. Suponho que em política é diferente ou, pelo menos, espero que seja diferente. Reparem: o líder do CDS-PP comparou o primeiro-ministro José Sócrates ao Xerife de Nottingham por cobrar impostos demasiado altos. Pode não ser exacto que o Primeiro-ministro seja o malévolo inimigo dos pobres, mas que os impostos estão altos, lá isso estão. Que o Fisco tenha penhorado vinte e duas mil pensões de reformas, não ajuda nada. Alias, é uma das facetas deste Governo que o impede de ganhar o prémio Miss Simpatia e que com certeza terá um preço nas próximas eleições. No mesmo dia foi divulgada a conclusão do SEDES, esse organismo senatorial, semi-clandestino que emite opiniões terminantes, qual Zeus directamente do Olimpo. Acusa o executivo de Sócrates de estar a governar com a cabeça nas eleições de 2009 em vez de estar concentrado na administração do País. O que significa que as últimas medidas que propõe, obras públicas, redução do IVA e assim por diante, são para ganhar votos, coisa que me parece normal. Qual é o governante que, com a proximidade das eleições, não oferece bombons aos meninos eleitores? Contudo, estas afirmações são contraditórias. Embora a imagem do Xerife de Nottingham seja bonita, até porque nos faz sentir um bocado ingleses, é exagerada: o Xerife só sacava aos pobres. Naquela altura não existia a classe média. O conceito da SEDES, de acusar Sócrates de populismo eleitoralista, também me parece desmedido. Se Sócrates está a tentar ganhar os nossos votos, pois eu ainda não vi os bombons. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:44
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