Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

O meu sobrinho pediu-me para lhe explicar a história da fruta e do Conselho de Justiça. Da parte da fruta gostou imenso. Da parte do Conselho de Justiça, com decisões de tribunal pelo meio, nem por isso. Devo dizer que o meu sobrinho não tem nenhum atraso mental e é até bastante despachado para os seus nove anos. Mas é um facto que é difícil explicar, seja a quem for, a trapalhada jurídico-desportiva em que andamos. Ainda por cima sem sabermos muito bem o que diabo significa justiça desportiva. No entanto, logo da minha explicação, que se revelou como a própria realidade, isto é, inútil e incompreensível, o puto perguntou-me: "Mas o Benfica vai à Champions ou não?". "Não sejas foleiro", disse-lhe eu zangado. “Não se pode andar por aí a lucrar com os males alheios. O que é que tu andas a aprender no catecismo? Já para a cama!” O castigo foi desmedido porque ainda não eram 17h30 e estávamos no autocarro. No entanto, o rapaz, com a sua inocente ganância, revelou-me quem tem a culpa de tudo. Não é a Federação de Futebol nem o Conselho Jurídico. Muito menos os tribunais que tinham ilibado o que os jurídicos desportivos tinham condenado. Não, senhor. A culpa é da UEFA. Tudo teria sido diferente se, caso o Porto não fosse à Champions, o terceiro classificado da Roménia ou o sub-campeão da Estónia tivessem ocupado o seu lugar. Mas o facto de o castigo de um clube português beneficiar clubes portugueses abriu a caixa de Pandora ou, se quiserem, revirou um ninho de víboras ou, melhor, mostrou o ouro ao ladrão. Ninguém tenha dúvidas de que se no lugar do Boavista, o Desportivo de Rascaia subisse à Primeira Liga da Chechena, o Paços de Ferreira não estaria a gastar o que não tem em advogados. Nem o Benfica estaria tão empenhado na celeridade do tal Conselho Jurídico nem o Vitória de Guimarães teria perdido os seus reforços portistas que tanto jeito lhe deram. Meus amigos, a UEFA desestabilizou o nosso frágil universo da justiça desportiva. Rua com eles, cambada de suíços. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:51
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