Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Habitualmente, as notícias nacionais têm leis não escritas mas cumpridas religiosamente, no sentido antigo, quando se cumpriam os preceitos religiosos. Essas leis são: nunca ninguém dá uma conferência de imprensa depois das 20h30. Não se fazem declarações bombásticas depois das 21h00. Ninguém faz nada importante depois das 21h25. E por último, todos os políticos devem ficar calados até domingo à tarde para não estragar as edições dos semanários que saem aos sábados. Com excepção óbvia que este último mandamento fica sem efeito durante congressos de partidos, eleições, catástrofes naturais, golpes de estado ou outro género de coisas. Cresci com estas regras e estou espantando com o desrespeito em que vivemos por estes dias. A proximidade das férias em Agosto não é uma desculpa, pelo contrário. Todos sabemos a angústia em que vivem os jornalistas no momento alto do Verão. Se não fossem os incêndios e as desgraças que acontecem aos turistas, bem que podíamos fechar a secção “nacional” de qualquer jornal português. Na sexta-feira à noite, contra todos os bons conselhos, Manuela Ferreira Leite, quase às escondidas, revogou as decisões mais queridas do ex-líder do PSD, Luis Filipe Menezes: a estratégia autárquica e a alteração dos regulamentos do partido. As famosas bases já não votam. Acabaram-se as célebres directas e os pagamentos de quotas até trinta segundos antes de fecharem as urnas. Penso que uma notícia destas merecia ser dada na manhã da sexta-feira ou então devia ser adiada para domingo à tarde. A única explicação que posso dar a esta jogada de Manuela é o medo que tem da influência de Menezes nos meios de comunicação social, todos caidinhos de amor pelo seu carisma. Se calhar, os semanários e os diários são menezistas e eu não sabia de nada. Se for verdade, fico descansado por saber que Menezes também não. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:39
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