Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Não vou vos maçar com a história da crise porque até eu estou farto do tema. No entanto, há sinais em actividades profissionais insuspeitas de que a crise está a penetrar onde nunca antes chegou. Já sabíamos que as forças de segurança tinham sido atingidas pela falta de dinheiro. O último episódio é o despejo da esquadra da PSP na Avenida João Crisóstomo em Lisboa. Vá lá que não é por rendas em atraso! O proprietário vai construir um hotel. Mas, pronto, com o preço do metro quadrado não será de estranhar que a Maternidade Alfredo da Costa, nas Picoas, ou mesmo o Hospital São José, que tem uma vista espectacular de Lisboa, tenham os dias contados. Enfim, faz parte da voragem imobiliária geral em todo o mundo, com ou sem crise económica. Mas uma notícia que me pareceu realmente alarmante foi que a Polícia Judiciária, na apreensão de 140 armas de calibre proibido, tenha descoberto fábricas de réplicas de armas, como por exemplo da célebre Kalashnikov. Não é preciso lembrar que esta arma é conhecida por duas características: é resistente e é barata nos mercados internacionais. Agora se é barata, para quê comprar uma contrafacção nacional? Mal comparado, mas não muito mal, é como fazer em casa um saca-rolhas profissional igual àqueles que os empregados de mesa usam, quando pelo mesmo ou por menor preço podemos comprar um autêntico. Mas a miséria não acaba aqui. Esta associação de malfeitores tinha um serviço de aluguer de armas para cometer aquelas coisas que os criminosos fazem. Imagino as conversas: “Olhe, se faz favor, vou fazer um carjacking. O senhor o que é que me recomenda assim baratinho e que eu possa utilizar só com uma mão? É que tenho de conduzir, sabe?” Ou ainda: “Vou à Quinta da Fonte e estava a pensar numa caçadeira, mas não tenho a certeza. Não tem alguma coisa menos barulhenta por vinte paus?” É como vos digo: a crise chegou onde menos esperávamos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:42
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