Terça-feira, 29 de Julho de 2008

A chamada "diplomacia económica" que o governo português está a pôr em prática merece algum tempo de reflexão. Esta tal diplomacia é a que faz com que um governo dito socialista, que é um governo que não recebe lições nem de democracia nem de moral, como gosta tanto de repetir, elogia Chávez da Venezuela, Dos Santos de Angola, Khadafi da Líbia e até promove a entrada na CPLP do ditador Obiang da Guiné Equatorial. Claro está que os níveis de democracia ou moralidade entre todos eles são diferentes. Chávez sempre tem o célebre "foi eleito democraticamente" para não o juntar aos outros que não tiveram a mesma sorte. Também José Eduardo dos Santos é diferente. Convoca eleições de vez em quando e, ainda por cima, tem a culpa histórica de todo o Portugal do seu lado. No fundo da tabela está sem dúvida Khadafi mas tem a seu favor o facto de ser um terrorista arrependido, segundo consta. Obiang é mais difícil de engolir, mas arranja-se qualquer coisinha. Por exemplo, os quase dez por cento da população da Guiné Equatorial que fala português. Portugal, como é bem sabido, protege os seus. Todos estes países têm o petróleo em comum. Políticos conhecidos, e não só socialistas, elogiam estas iniciativas que se podiam resumir nos adjectivos "patriótico" e "corajoso". Concordo com o patriotismo. Não tenhamos dúvidas de que o nosso problema mais urgente é a energia. E até que o famoso carro eléctrico não esteja no mercado e as ventoinhas gigantes não sejam rentáveis, é bom que façamos alguma coisa pela vida. Em linhas gerais, concordo que os interesses do país estejam acima das ideologias e de certos princípios. Não seria a primeira vez e de certeza não será a última. O que me irrita são afirmações do tipo de Ângelo Correia, conhecido amigo dos árabes, que condena os elogios exagerados feitos por Sócrates aos dirigentes destes países. Não faz sentido. Desde quando alguém fala mal, ou mesmo pouco bem, de alguém com quem fazemos negócios? Quem é o otário que faz diplomacia com sinceridade? Ainda por cima, quando são eles que têm a faca e o queijo na mão, ou se quiserem o petróleo e o dinheiro para o comprar? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:49
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