Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Vários acontecimentos ocorridos nos últimos dias deram-me de pensar sobre o nosso regime parlamentar. Mais ou menos simultaneamente houve amuos, demissões e peixeiradas nalguns dos nossos partidos representados na Assembleia da República. Manuela Ferreira Leite foi aos Açores e recusou participar na tradicional festa do PSD da Madeira, conhecida pelos one-man shows de Alberto João Jardim. O Partido Socialista, pela boca experimentada do seu líder de bancada, Alberto Martins, exprimiu o seu repúdio aos comentários de outro socialista, João Cravinho, que por sua vez repudiou o pendor governamental do novo Conselho para a Prevenção da Corrupção, aprovado no Parlamento pelo PS. Dois membros da direcção de Paulo Portas abandonaram o CDS-PP, sem dar muitas explicações. No PCP, não. Todos os que tinham de se ir embora já o fizeram na década passada. No Bloco de Esquerda ainda ninguém saiu porque o Sá Fernandes se adiantou a todos eles e a pré-natal Ana Drago não tem tempo para discutir. Seja como for, três problemas em três partidos de cinco já fazem um sintoma democrático. Imaginemos que este sintoma é um sinal de insatisfação partidária e que pode alastrar numa multiplicação de pequenos partidos. Isso dava cabo de lendas como o Bloco Central ou o bipartidarismo, que verdade seja dita, sempre me pareceu sobrevalorizado. Vendo bem as coisas, se ninguém está contente com os seus próprios partidos ou se os pequenos partidos se sentem desprezados pelos grandes, ou ainda, se os grandes excomungam as minorias que não concordam com os seus dirigentes, não seria mais saudável termos mais partidos políticos na Assembleia? Pequenos e unidos, sem tendências internas, provavelmente sem tricas nem barões. Todos a fazer alianças quando concordassem uns com os outros, representando cada um uns dez por cento da população, quando muito… Chamem-me romântico, mas se calhar não é má ideia. Bem vistas as coisas, é muito difícil que seja pior do que até agora nos tocou suportar. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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