Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

O preço do petróleo está a cair e a tendência é para assim continuar. Para nós, ainda são tostões. Mas para os especuladores já começa a ser alguma coisa. Do estilo de que vão ter de cortar com as prostitutas de luxo, o que é o bom, porque farto estamos nós que estas sanguessugas inflacionem os preços. Iates mais pequenos, que também é bom, porque ocupam menos espaço e eu finalmente vou poder deixar de atracar na Trafaria e assim por diante. Dizem que os preços do petróleo vão estabilizar nos oitenta dólares. Oitenta é bom. Um número justo. Muito mais correcto que os cem dólares que Chávez desejava. Também é bom que o capitalismo ensine a esse homem loquaz com uma t-shirt gira oferecida pelo Rei de Espanha que nem tudo é mau neste mundo capitalista. Mas voltemos ao ouro negro. Os analistas aventuram várias explicações para a descida do preço do petróleo. Os americanos, com a humildade que os caracteriza, explicam-na com o fortalecimento do dólar e a diminuição do consumo de combustível nos EUA, a que se junta uma aparente acalmia com os sunitas do Irão, agora mais virados para os xiitas do Iraque; todos estes factores parecem contribuir para a baixa do preço do petróleo e etc. Podia continuar a reproduzir eternamente as ingénuas explicações que o mundo está a propor para este aparente milagre. Mas nós, aqui em Portugal, sabemos a verdade. Meus senhores e minhas senhoras, não é uma coincidência que há pouco mais de um mês, o nosso Primeiro-ministro tenha anunciado uma medida radical que mudaria o mundo: a taxa Robin dos Bosques. Uma lei que penalizaria as petrolíferas nos seus lucros desmedidos. Parecendo que não, quando o Sócrates fala, as petrolíferas baixam o jacto. Não é por acaso que a Embraer, o gigante brasileiro, vem para o nosso país com um investimento pouco maior que uma ponte sobre o Mondego. Também não é por acaso que a ponte Europa, em Coimbra, custou o triplo do que estava previsto. Todos sabem que em Portugal sabemos controlar o mundo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:36
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