Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Com o objectivo de encorajar os bons estudantes com um incentivo pecuniário, o Ministério da Educação vai atribuir um prémio de quinhentos euros aos melhores alunos do ensino secundário. Esta ideia não é original. Noutros países com uma criminalidade muito mais alta que a nossa já se faz isto. Coisa que não nos provoca nenhuma consolação. Há pedagogos que estão contra esta forma de incitação materialista ao estudo. Mas tampouco consolam, porque a medida vai à mesma para a frente no próximo dia 12 de Setembro. Os aspectos condenáveis, julgo eu, são mais que óbvios. Desde a profissionalização dos marrões, totós e copiões até ao encorajamento de negócios ilegais. E não falo só dos mestres da cábula que poderão vender as últimas novidades no mercado do copianço. Falo do crime organizado por adolescentes menos trabalhadores mas mais fortes e menos escrupulosos. Eles vão pedir uma percentagem a troca de protecção ou talvez fazer tráfico de influências. Todas estas evidentes objecções não são realmente importantes. Mais tarde ou mais cedo, as crianças vão conhecer esses gangsters na vida adulta. O pior é que graças a esta iniciativa do Ministério da Educação, as nossas crianças vão entrar no mundo da ganância antes de tempo. Pode ser o princípio do fim de toda a actividade que se fazer porque se quer fazer, se deve fazer ou porque, simplesmente se gosta de fazer. Adeus ao ideal olímpico e adeus à procura infinita do saber. A alegria da boa nota, que é o primeiro reconhecimento importante extra-familiar que se tem, passa a valer quinhentos paus. Estar entre os melhores não vai ser suficientemente gratificante. Vai ser exactamente quinhentas vezes menos gratificante. Parece que esta iniciativa implica um investimento global de meio milhão de euros. Serão então, mil alunos, descontos excluídos, que poderão ganhar o prémio. Por outro lado, se as provas finais continuam a ser canja como foram da última vez, esta solução do Governo para eliminar o insucesso escolar, será insignificante. Sei lá, perto de cinco euros por cada média de vinte valores. Não vale o esforço. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:51
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Comentários:
De Ressaca a 6 de Agosto de 2008 às 22:35
Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...



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