Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

O assalto ao banco em Campolide ainda tem muito que se lhe diga. Para já, a interpretação xenófoba do assalto é tão esdrúxula como a palavra estúpida. Os comentários de que a Polícia fez um trabalho excelente foram exagerados. Não por causa da intervenção do Grupo de Operações Especiais que a meu ver mostraram que o dinheiro para a sua preparação foi muito bem gasto. Mas, infelizmente, não podemos o mesmo dizer dos responsáveis pela negociação com os delinquentes. Essa foi, obviamente, um desastre. Lembro que a informação mais relevante que conseguiram, a de que os assaltantes preferiam suicidar-se a entregar-se, foi obtida graças a um primo de um dos criminosos que ligou quando estavam já no banco. Mas, enfim, também é verdade que nos filmes os negociadores são mais giros e têm mais conversa do que os nossos. Porém, há pormenores que não foram exaustivamente abordados. Por exemplo, o local do crime. A dependência do Espírito Santo, a que foi assaltada, fica num quarteirão onde se encontram mais três outros bancos: o Totta Santander, o BPI e o Millenium. Na esquina deste último, há também um Barclays. Percebo que não tenham ido nem ao BPI nem ao Millenium. Não só porque a taxa de juros é simplesmente uma roubalheira mas também porque andam a ter má publicidade. Se tivesse sido eu, teria preferido Santander ou o Barclays. Por outro lado, o BES não só é o banco que estava mais próximo da esquina onde se encontra o Estabelecimento Prisional de Lisboa, o que não fala muito bem da vizinhança, como já em dois mil e seis tinha passado por uma experiência similar na sua sucursal de Setúbal. O que significa que de certeza os empregados nos seus cursos de capacitação profissional foram preparados para casos de assaltos com tomada de reféns. O que, por um lado, é uma garantia de que vão colaborar e não vão entrar em pânico, mas por outro, sabem mais de assaltos e de tomada de reféns do que um par de delinquentes que fazem a sua estreia nestas lides. Foi o caso e deu no que deu. Espero que estas observações ajudem as forças de segurança na sua luta contra o crime. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:34
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