Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Uma notícia publicada há poucos dias no Correio da Manhã pode provocar um colapso no Governo. Aparentemente é uma notícia apenas insensível, que não tem em conta a angústia que as pessoas vivem em momentos de grande incerteza e depressão. Esses infelizes são as pessoas que se divorciam. É verdade que pode sempre haver algum irresponsável no meio dos ex-cônjuges que poderá ficar feliz da vida com a separação. Mas essa pessoa ou é um inconsciente que mais tarde perceberá o erro trágico de quebrar os votos do casamento ou ficou com a casa, o carro, a piscina e ainda com uma pensão de quinze mil euros vitalícia. Mas vamos à notícia da discórdia. Os divórcios são responsáveis por um terço do incumprimento à Banca em Portugal. O valor do total do crédito malparado nos primeiros cinco meses do ano é de 2,59 mil milhões de euros. O fim dos casamentos responde por mais de 800 milhões de euros de dívidas incobráveis. Que sejam incobráveis parece-me absolutamente normal. As pessoas com o coração destroçado, a negociar as visitas aos filhos, a saber quem fica com o computador e quem fica com o carro e agora o que é que eu digo ao meu pai e com quem é que este verme me andou a trair ocupam todos os lugares na lista de deve e haver da alma daqueles seres humanos. A última coisa em que se pensa é: e agora o que é que eu vou dizer ao meu gerente de conta? Quero que o meu gerente e o teu vão para o raio que os parta. Devia haver isenções para matrimónios em vias de separação. Para quê provocar mais um conflito? Mas enquanto esperamos por uma lei que proteja os lares desavindos temos mais um problema: o simplex. A nova lei do divórcio vai acelerar legalmente as rupturas matrimoniais. Ainda vai haver mais dívidas incobráveis. O Ministro das Finanças vai entrar em guerra com a bancada do PS que abriu a porta para uma crise de dimensões imprevisíveis. Se calhar a solução para a banca superar este pesadelo de dívidas incobráveis vai ser abolir a possibilidade de divórcio em Portugal. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:33
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