Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

A propósito do comício do PSD no Pontal, no Algarve, só posso dizer que não há trabalho mais ingrato que ser líder dos laranjas. Bem, talvez ser oposição do líder do momento também seja ingrato. Pensando melhor, pertencer ao PSD é em si mesmo ser vítima da ingratidão de todo um país. Faço rapidamente um resumo deste fim-de-semana social-democrata. Como sabem, Manuela Ferreira Leite não foi ao Pontal. Reserva para mais tarde romper o seu tão falado silêncio. Ângelo Correia, partidário de Luis Filipe Menezes, obviamente opõe-se a esta estratégia da boca fechada. Para ele um líder mudo faz tanto sentido como uma piranha macrobiótica e vegetariana. Mas pelo sim, pelo não, apela à mobilização das massas. Mendes Bota, com a sua lendária subtileza, convoca os militantes do PSD para disputar a rua aos comunistas. É evidente que, para ele, o silêncio é um convite para ficar em casa a ver televisão. No comício, Alberto Joao Jardim, que não morre de amores por Manuela, aceita o pouco barulho da líder, mas fica à espera das nozes. Ninguém pode duvidar de que é a posição mais sensata no meio de tudo isto. Não é por acaso que desde tempos imemoriais os homens se queixam do prazer feminino de falar. Por isso a opinião maioritária da oposição interna no PSD a Ferreira Leite tem algo contra natura. Tantos homens indignados por causa do silêncio de uma mulher é imprudente e perigoso. Imprudente porque se Manuela começa a falar e nunca mais se cala, isso vai ser da inteira responsabilidade dos seus opositores. E é perigoso porque vamos ficar mal vistos ante a ancestral e masculina gratidão ao silêncio das mulheres. Não tarda muito estamos a ouvir as nossas caras metades coisas do género “Estás a ver como o Ângelo Correia e um cavalheiro? Esse sim é um homem, que quer e gosta de ouvir as mulheres! Até faz discursos a exigir que falemos!”. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:52
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