Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Ao contrário das pessoas que se deixam vencer pela tendência geral em se desiludir pelos políticos, eu gosto deles. A ideia de pessoas que decidem dedicar a vida a tentar melhorar a vidas dos outros, merece toda a minha admiração. Percebo que o longo percurso que tem de fazer para poder realizar as suas boas intenções está pejado de pequenas lutas e negociações que podem ser mal interpretadas por aqueles que não percebem as dificuldades inerentes à actividade política e partidária, e que são praticamente todo o povo. As delicadas nuances da coisa pública, a complexidade dos jogos de poder, as extenuantes discussões ideológicas não estão ao alcance de qualquer um. Eu próprio, que sou um profissional experimentado, às vezes fico confuso. Vou dar um exemplo. O jovem e idealista líder da Juventude Socialista declarou que o casamento homossexual continua a ser uma bandeira a defender por essa estrutura socialista. Por mim, nada contra. A seguir afirmou que aquela bandeira é mais uma bandeira a acrescentar às muitas contra as discriminações, pela emancipação dos jovens, contra a redução do abandono e insucesso escolar e mais outras. Acho bem mas ficamos com a impressão de que são muitas bandeiras e muito pouco tempo. Suponho que no máximo aos trinta anos um membro de uma qualquer juventude partidária tem de passar a jogar na equipa dos seniores. É humanamente impossível alcançar tantos e tão nobres objectivos durante a juventude. Julgo que seria mais eficaz se estes rapazes defendessem uma bandeira primeiro e outra depois e assim por diante. Imaginemos que a Juventude Socialista agora se concentrava no casamento dos homossexuais. Até não conseguir a sua legalização não se distraiam com mais nenhuma bandeira. Quando os homossexuais portugueses se casassem não havia mais nada para ninguém. Depois tratavam do insucesso escolar. Até que todos os jovens terminassem pelo menos o liceu não se pensava em mais nada. Primeiro uma bandeira e depois outra. Assim é que era. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:56
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