Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Agora que chegámos ao último fim-de-semana de Agosto, gostaria de terminar as vossas férias com um tema para que possam reflectir. Façam de conta que a partir de segunda-feira tudo volta a ser sério e relevante. Bem sei que é mentira, mas se agora termina a silly season, podemos acreditar que agora começa a inteligent season. Antes de sermos obrigados a sermos profundos e inteligentes deixem-me que vos conte uma polémica que teve início no mês de Agosto, nos Estados Unidos. Talvez porque estavam aborrecidos, um grupo de 115 directores de universidades americanas defendeu a mudança da idade mínima para beber álcool de 21 para 18 anos. A justificação desta proposta é combater o alcoolismo entre os estudantes. A lógica desta ideia é que baixando a idade legal para o consumo do álcool pode levar os estudantes a beber menos. Para mim faz todo o sentido. Quando somos jovens muito daquilo que fazemos é contra alguém. Esse alguém pode ser os pais, as autoridades, o aborrecimento ou a responsabilidade. O facto de ser ilegal beber numa idade em que está proibido, só reforça a afirmação da transgressão. Infelizmente, as pessoas não são tão inteligentes como esses 115 reitores, nem como eu. Nós compreendemos a subtileza da liberdade individual como ponto de partida para o respeito das leis e o controlo da selvajaria. Por isso as clássicas associações de pais e de mães e de tudo o que seja puritano e reaccionário condenaram a própria discussão do tema. Obviamente esta ideia está tão longe de ser aprovada nos Estados Unidos como Obama está longe de ser branco ou McCain de ser um adolescente. Mas não faz mal. Pelo menos o tema foi posto em cima da mesa. Diga-se de passagem que apesar da proibição, a percentagem de estudantes alcoólicos menores de vinte e um anos é enorme, e perto de mil setecentos estudantes todos os anos morrem por excesso de álcool. Aplicar uma medida como esta não pode produzir uma realidade pior da actual. Segundo o Publico, Gever, um político americano, afirmou que se um jovem de 18 anos tem idade de ir para o Iraque e levar um tiro, também pode beber uma cerveja. Não diria melhor. Se é um facto que à medida que crescemos acrescentamos deveres, é de um mínimo senso comum acrescentar também os direitos correspondentes. Enfim, talvez esteja a exagerar, mas confesso que já não suporto mais este mês de Agosto. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:32
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Comentários:
De PG a 1 de Setembro de 2008 às 17:18
"...afirmou que se um jovem de 18 anos tem idade de ir para o Iraque e levar um tiro, também pode beber uma cerveja..."

Esta é uma verdade que ninguém pode contrariar e sim, por vezes quanto mais proibido é, mais desejo cria no ser humano, nem que seja pela "aventura".


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