Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Ouvi no encerramento da festa do Avante, no domingo, o discurso de Jerónimo de Sousa. A primeira coisa que me vem à cabeça é que a grande diferença entre o PCP e o PSD é que os sociais-democratas fazem discursos mais curtos. A segunda é que nenhum deles gosta do governo. A terceira é que ambos coincidem em não gostar das medidas tomadas por Sócrates para lutar contra a criminalidade. Uma criminalidade que ainda não sabemos se é um problema novo ou um problema antigo, que, simplesmente, desconhecíamos. Manuela Ferreira Leite condenou a falta de sensibilidade social na estratégia de vigiar ostensivamente aquelas zonas, que, além de perigosas, são social e etnicamente conflituosas. Convenhamos que fazer um cerco policial na Lapa, em Lisboa, ou na Foz, no Porto, dificilmente intimidaria os profissionais do carjacking ou os especialistas em roubos de caixas de Multibanco. Aquelas medidas podem ter sido inúteis mas têm algum bom senso e não são totalmente insensíveis. Jerónimo de Sousa, pôs seu lado, destacou a questão da segurança versus liberdade individual, um conceito que não deixa de ser inesperado vindo dum comunista. Ainda por cima quando afirma que se sacrificarmos a liberdade em nome da segurança, ficamos sem nenhuma das duas. Nada, a não ser nos regimes totalitários, que não é o nosso caso, em que a taxa de crime é anormalmente baixa, nos indica que, caso a Polícia seja mais interventiva e presente, poderemos ficar sem liberdade nem segurança. Jerónimo profetiza mal. Eu acredito que a liberdade individual é como os telemóveis. Temos a possibilidade de fazer milhares de coisas com eles, mas a maioria de nós apenas os utiliza para telefonar e receber chamadas. Quero com isto dizer que se a situação fosse tão grave como dizem podíamos prescindir de certas liberdades. Por exemplo, que importância tem sermos vídeovigiados na rua se isso reforçar a segurança? Não é assim um grande atentado à nossa liberdade individual e em Londres funciona. Tudo isto pode soar reaccionário. E é. Mas o certo é que não se pode ter tudo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:56
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