Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Há muito tempo que as sondagens de popularidade fazem parte da rotina política. Perguntar se foi a televisão ou o marketing que impuseram esta moda ou se foram os políticos que a começaram não faz sentido. Seria voltar ao dilema do ovo e da galinha. O certo é que existem. Este ano tornou-se um dever em quase todos os meios de comunicação fazer sondagens de popularidade, semana após semana. Julgo que é um exagero inútil para a análise política e só espero que não leve os jornais que as encomendam à falência. Digo inútil, porque uma semana não dá em política uma indicação séria seja do que for. Pode funcionar com um programa de televisão ou com uma namorada ou um namorado. Mas em condições normais, esse lapso de tempo nem para isso serve. No caso que nos interessa, todas as semanas os jornais teimam em informar-nos que fulano desceu no barómetro da popularidade ou tal partido ganharia as eleições se fossem agora. Aliás, agora quando? Pergunto eu. Hoje, no dia em que saiu o dito jornal? Amanhã? Tem de ser rápido, porque na semana seguinte vai haver uma oscilação de zero vírgula camandro, que vai mudar o panorama eleitoral do País. Reparem, uma legislatura tem uma vida de quatro anos. Medir a opinião que os cidadãos têm sobre ela semana a semana é, proporcionalmente, como ter uma opinião sobre uma equipa de futebol ou sobre um jogador durante um jogo de noventa minutos cada zero vírgula dois segundos. Este tempo pode ser suficiente para perceber se um jogador é o Maradona, mas não é suficiente nem sequer para perceber em que equipa joga o jogador e muito menos se a equipa está a jogar bem. Como se fosse pouco, os políticos, que são muito mais sensíveis ao que dizem os outros do que a nossa vizinha do lado, são capazes de tudo para não serem mal vistos. Tendo em conta que cada sondagem deve durar não menos de seis dias, isso obriga, por exemplo, a que um deputado diga ou faça alguma coisa de jeito, ou pelo menos aceitável, de quinze em quinze dias. Feito este, que é deputadamente impossível. Meus amigos: não acreditem em sondagens semanais. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:57
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO