Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

As autoridades, que sabem ser antipáticas quando querem, apreenderam nos últimos oito meses 18.555 livros escolares pirateados. A esmagadora maioria dos exemplares apreendidos são cópias de livros técnicos, tanto em papel, como em suportes digitais: em CD, pens e essas coisas. Também houve, mas por agora em menor número, exemplares do ensino secundário apreendidos. Mas lá chegaremos. Tendo em conta o preço dos livros em geral e os técnicos em particular, julgo que o número das apreensões revela que, ou há muitos estudantes ricos, ou é uma realidade que ninguém gosta de estudar no nosso país. A não ser os socialistas, que até fizeram uma nova fundação de estudos e reflexão. Obviamente sou contra o plágio. E quanto a isto sou intransigente como um alto funcionário da ASAE. Contudo, em questões de piratearia sou mais inglês. Os monarcas ingleses toleravam os piratas e até os recompensavam sempre e quando não fossem apanhados e não comprometessem a Coroa. O que me obriga a aconselhar aos piratas que sejam mais discretos e, no caso de serem apanhados, que não mencionem o meu nome. Também acredito que roubar um livro não é o mesmo que roubar uma camisola, por muito gira que seja. Exceptuando, claro está, se for um livro do Paulo Coelho que dura aliás menos que uma camisola. Mas voltando aos livros, não concordo que sejam gratuitos e nem sequer que sejam subsidiados. Só gostava que fossem mais baratos. Por isso, uma política intolerante ante a piratearia parece-me uma barbaridade. Estamos a perder uma oportunidade: não há país que não tenha a sua economia paralela. Portugal teria muita pinta se fosse a Taiwan da cultura. Em vez de Rolex baratos mas mais exactos que os suíços, ou Chanel com mais qualidade do que em França, podíamos ter à venda livros como a Citologia Completa, A Termodinâmica em dez volumes ou as obras completas de Dostoievski a preço da chuva. Podíamos ser a capital livreira do mundo! Caso que esta ideia não pegue, temos sempre os maravilhosos downloads. São incríveis as coisas que se podem descarregar e não vejo como é que, alguma vez na vida, me poderiam apanhar. Olha, até podíamos ser a capital do download cultural! Os livreiros não perdiam porque mantinham os clientes snobs, que continuavam a comprar livros legais, e o país inteiro ganhava com o turismo intelectual. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:26
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