Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Há momentos em que temos uma epifania. É como quem diz, somos iluminados e percebemos tudo. Isto aconteceu-me quando li que o Procurador da República, Pinto Bronze, que acusava Fátima Felgueiras por corrupção passiva, surpreendeu com o seu pedido de absolvição. Eu acredito na Justiça e, portanto, acredito que este senhor tenha chegado à conclusão de que estava errado. Não posso deixar de aplaudir um homem assim. Quase simultaneamente, verifico que no muito badalado caso Álcool, que implicava duzentos arguidos e cinco outros acusados de homicídio voluntário, a grande maioria foi declarada inocente. Os que foram considerados culpados foram condenados a penas suspensas. Só um levou com prisão efectiva e isso só porque tinha cadastro. Eu acho bem. O importante é que se faça justiça. Longe de mim pôr em causa o trabalho e a seriedade dos magistrados. Por outro lado, não posso deixar de pensar no precedente muito próximo de Paulo Pedroso. O Paulo, se me permitem a familiaridade, inconformado por ser ilibado de qualquer culpa, processou o Estado e ganhou. Isto significa que a sua inocência foi provada duas vezes. Este é um precedente histórico que multiplica a inocência por dois. Ora, este é, para mim, um exemplo a seguir por todos os verdadeiros inocentes. Fátima Felgueiras é inocente, logo, para ser tão inocente como Pedroso, deve processar o Estado e ser também inocentada uma segunda vez. Os duzentos do caso Álcool foram ilibados? Pois devem seguir os passos do Paulo e da Fátima e processar o Estado. Se assim não fizessem, essa atitude podia criar suspeitas e levar as pessoas a pensar que não são assim tão inocentes como o tribunal decidiu. O povo não se conforma com menos. Não é por acaso que nas aldeias se diz: "Duas vezes inocente, a gente fica contente. Inocente só uma vez, não pode ser boa rês". Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:36
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