Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

O discurso de Hugo Chavez a anunciar a expulsão do embaixador americano foi chocante. Não sei se há precedentes de tanto palavrão no mundo das relações internacionais, pelo menos em línguas compreensíveis. Não sei o que dizia Hitler nos seus famosos e gesticulados discursos, mas quem não saiba alemão pode pressentir que não são discursos carinhosos nem cheios de ternura. Contudo, não me parece que incluíssem palavrões. Talvez um ou outro "porco", se calhar algum "sujo" e epítetos do género, que postos fora de contexto até nem fossem muito grosseiros. Com os chineses também não posso pôr as mãos no fogo. Mas os orientais não são conhecidos pelas suas obscenidades verbais. Eles são mais de metáforas. Se querem mandar alguém à (bip) dizem: "que sejas eternamente um papel de máxima suavidade e consistência". Até são capazes de afirmar que lhes dói a cabeça quando querem cortar relações com um país e, na pior das hipóteses, chamam "cão capitalista" ao Pai Natal. Mas só durante a revolução cultural. Tudo isto para dizer que é inaceitável que Chavez expulse um embaixador dizendo que os ianques são uns (bip) e que podem ir para o (bip). Em primeiro lugar porque não é preciso falar espanhol para perceber. Se tivesse dito o mesmo em tupi-guarani, em aruaque ou caribe ou numa daquelas línguas que se falavam originalmente na terra dele, não havia nenhum problema. Em segundo lugar, fez com que o seu admirador, o Dr. Soares, ficasse mal visto. Como é que agora vai explicar aos netos que há palavras que não se dizem em público nem mesmo depois do 25 de Abril nos piores anos do gonçalvismo? Já para não falar do nosso primeiro-ministro, amigo e confidente de Chavez. Imaginamo-lo a explicar aos seus congéneres europeus: "Na América do Sul as coisas são diferentes. Temos de perceber que são democracias novas. Não têm a história que nós temos, pá. Alguma vez mandávamos o Putin para o (bip) ou dizíamos que os chineses são um povo de (bip)? A propósito, alguém conhece algum árabe que queira comprar um clube de futebol? Eu tenho o Boavista ao preço da chuva, e como eles não tem água… se calhar um árabe do (bip) está interessado nesta (bip)". Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:18
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