Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Agora que começa a competição mais importante entre clubes de futebol, é um bom momento para vos falar do desporto como ideologia. É normal que no universo da competição se elogie os vencedores e se condene os perdedores. Deve ser por isso que qualquer comentário desportivo em geral e futebolístico em particular tem mais possibilidades de ser mais sincero antes dos resultados do que depois. Quando chegam os resultados é relativamente fácil explicá-los. Por exemplo, li no Público que um clube de Bielo-Rússia, o Bate Borisov, é o único clube que “não usa nem abusa” de estrangeiros porque só tem quatro jogadores russos. Parece-me exagerado chamar estrangeiros aos russos que jogam na Bielo-Rússia, mas pronto. Aceitemos essa opinião. Em contrapartida, continuava o jornalista, o Arsenal só tem três ingleses. O que significa que este clube inglês é quem mais usa e abusa de estrangeiros. Fica por compreender se abusar de estrangeiros é bom ou mau. Aparentemente, é bom mas condenável. Ter só jogadores nacionais é mau mas admirável. Tudo isto vai contra o âmago da coisa desportiva em que só o admirável é bom. Obviamente, só agora começou a Champions. Se o Bate Borisov ganhar a Taça, o jornalista que escreveu este artigo vai ser uma espécie de Maomé do futebol. Na minha modesta opinião, usar e abusar dos estrangeiros no futebol e noutras modalidades sejam elas a construção civil, a medicina, a jardinagem ou o ensino, só nos faz bem. Mais ainda, dá-nos obrigações que só nos podem fazer sentir orgulhosos. Por exemplo, vejamos o Futebol Clube do Porto. Eis um clube reconhecido internacionalmente. Com ou sem estrangeiros, já conquistou o seu lugar no futebol europeu. Se as contas não me falham, o Porto tem agora sete jogadores argentinos. Tem quase mais argentinos do que clubes como o Boca Juniors ou algum outro clube mexicano. O Porto tem o direito e a obrigação de participar na liga argentina e também na Taça Libertadores. Se eu fosse Platini, obrigava os clubes europeus com forte presença de estrangeiros a participar nas competições que se jogam nos países dos seus jogadores. As equipas francesas deviam participar numa copa africana ou as italianas nas ligas brasileiras. Seria justo e, temos de reconhecer, seriamente interessante. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:42
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