Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

A PJ tem na sua posse imagens de dois indivíduos que estarão directamente relacionados com o homicídio de Banú Marle de Melo, um jovem de 21 anos baleado no Bairro Alto. Os dois homens foram vistos a fugir do local do crime, mas não há testemunhas que os consigam identificar. Foi por isso que as imagens foram divulgadas na televisão. Até aí, nada de anormal. Chamou-me a atenção uma nota num jornal, o Diário de Notícias, já agora que perguntam, que dava mais uma indicação identificadora: são brasileiros. Por mim, até podem ser. No entanto, sendo assim tão difícil saber quem são estes dois suspeitos, pergunto-me como pode ter sido apurada tão categoricamente a sua nacionalidade. Que eu saiba a vídeo vigilância não tem som. Desprendo que alguém que esteve perto do local do crime os tenha ouvido falar. Mas um sotaque poderá ser tão inequivocamente interpretado? Conheço alemães que falam português correctamente com acento baiano. Um amigo meu inglês fala espanhol como um argentino. Sem ir mais longe, eu próprio falo francês como um galego dum subúrbio do qual não me lembro o nome. Sou o primeiro a defender a luta contra a criminalidade, mas não é por isso que vou a dar por certo conclusões tão estúpidas. Nestes momentos difíceis, em que qualquer um de nós pode ser não apenas vítima mas também testemunha de alguma delinquência, é nosso dever preparar-nos para informar correctamente as nossas forças de segurança. Devemos pensar que um criminoso quer sempre confundir-nos. Se falar português como um português, é de certeza estrangeiro. Se nos parecer alto, estejam certos de que o homem é um anão. Se falar com sotaque, é da terra. Se der a vaga sensação de que é de origem africana, não duvidem: o homem é ucraniano ou pior. Não se deixem levar pelas aparências. Testemunha desconfiada vale por duas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:48
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