Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Ontem li um jornal do princípio ao fim e fiquei deprimido. Todas as notícias pareciam ser escritas pelo Marcelo Rebelo de Sousa ou por um bipolar em dia não ou por todas as ex-namoradas de todos os membros do Governo, deputados incluídos. Reparem: “Portugal vai ser pioneiro a nível mundial no aproveitamento da energia das ondas. Mas a zona piloto para novos projectos ainda aguarda entidade gestora”. Outro: “No primeiro de Outubro entrará em vigor a descida em trinta por cento do preço dos genéricos. Mas vai levar à falta destes medicamentos nas farmácias durante cerca de um mês”. Mais um: “Vão hoje distribuir quatro mil computadores a escolas do 1.º ciclo. Mas, nas escolas ou nos vizinhos, os concelhos executivos desconhecem como adquirir o portátil”. Só para terminar: “No Dia Europeu sem Carros a Baixa lisboeta estava silenciosa e despoluída. Mas foi um caos para os automobilistas”. Ontem foi um dia onde havia, regra geral, mais notícias boas do que más. No entanto, todas tinham a azarenta conjunção adversativa “mas”, que como o seu nome indica une e contraria simultaneamente. As notícias pareciam uma dessas vizinhas que depois de fazer uma observação simpática continua sempre com uma frase do género: “pena que esteja mais gorda” ou pena os filhos que tem ou o marido que não a merece ou a mãe que a odeia e o pai alcoólico ou etc. Ontem os jornais perderam a oportunidade de serem diferentes mas não conseguiram lidar com um dia bastante “sim”. Uma excepção: “Consumo de antidepressivos e ansiolíticos aumenta”. Não tinha um “mas”, au contraire. Segundo uma fonte identificada: “é uma prova de uma maior consciencialização sanitária da população, que tem cada vez mais acesso à informação e mais atenção à sua saúde”. É como eu disse. Ontem li um jornal do princípio ao fim e deprimi-me, mas como tenho mais consciência sanitária e estou informado, estou-me nas tintas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:40
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