Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008
Em França, o banco Société Général foi lesado com uma fraude de cinco mil milhões de euros. O responsável foi Jérôme Kerviel, um puto de trinta e um anos. Escândalo. Não pelo puto, mas pelos cinco mil milhões. Como pôde acontecer uma fraude de tamanha envergadura? Depois de uma grande investigação, esperava-se uma explicação à altura dos cinco mil milhões de euros. Finalmente a Ministra da Economia francesa, Christine Lagarge, bem informada, como qualquer ministro que se preze, declara que a fraude se deveu ao fracasso dos controlos internos. Eu fiquei hipnotizado. Isto sim é que é falar. Tem a genialidade das coisas simples que todas as pessoas compreendem e, no entanto, abrange os meandros mais complexos de qualquer mecanismo. Só alguém que saiba muito, e que queira dizer só o que é preciso, diz: "Os controlos internos fracassaram". Ainda por cima, funciona com tudo o que dê bronca, seja complexo e cuja solução seja conhecida. Podem experimentar com o Benfica, os excessos da ASAE, as relações sexuais, as devoluções do IRS, o Terreiro do Paço, o Serviço Nacional de Saúde; enfim, com tudo. É muito provável que comecemos a ouvir esta frase em qualquer conferência de imprensa do governo. Aposto que Mário Lino vai ser o primeiro a utilizá-la. Por outro lado, admito, embora me pareça impossível, que a explicação da Ministra da Economia francesa se resuma à frase "os controlos internos fracassaram", porque, na realidade, não faz a menor ideia do que aconteceu na Société Générale. Nesse caso, é uma pena. Não serve. Dizer "os controlos internos fracassaram" é tão fraudulento como os cinco mil milhões que desapareceram. Fora isso, tudo bem.


Publicada por Carlos Quevedo às 22:30
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Comentários:
De Ana Cristina Leonardo a 10 de Fevereiro de 2008 às 18:10
fraude por fraude, prefiro os 5 mil milhões


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