Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Os legisladores do Congresso dos Estados Unidos rejeitaram ontem o plano de resgate no valor de 700 mil milhões de dólares concebido pela Administração Bush para safar a grande embrulhada dos mercados financeiros. Ao ouvir os especialistas foi reconfortante sentir que não estamos sós na nossa ignorância. Parafraseando Churchill, diria que nunca tantos estiveram tão de acordo em não perceber tanto em tão pouco tempo. Começaram a falar de “activos tóxicos”, vários negócios bolsísticos com nomes em inglês muito giros. Métodos de vendas e revendas virtuais e outras coisas incompreensíveis. Depois de transpirar como mineiros em Agosto numa mina de carvão, os comentadores por fim lá conseguiram pôr a discussão num patamar mais elementar que é a velha luta entre o liberalismo selvagem e a intervenção do Estado. Palavras estas mais acessíveis para qualquer mortal que tenha pelo menos pensado em votar alguma vez, mesmo que só tenha sido contra o aborto. Ontem, os próprios republicanos chumbaram a proposta do presidente americano, também ele republicano. A explicação para esta traição foi simples. Os congressistas republicanos estão preocupados com as próximas eleições. Eis mais um empurrão para tornar esta balbúrdia compreensível. Claro – disseram todos – não querem perder votos. Imediatamente o Congresso americano passou a ter analogias portuguesas. Pois, aqui todos se lembram do queijo Limiano. O tal deputado do CDS que votou com o PS para, em contrapartida, proteger o nome do queijo. Limianizar o voto do Congresso americano foi óptimo. Deve ter ajudado imenso para compreender o problema. Eu sou mais rústico. Conformo-me a pensar que os americanos apenas não gostam que o Estado se meta nos seus assuntos. Não é uma questão partidária nem de queijo Limiano. Só acham que a palavra Estado é um palavrão. Ele há coisas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:27
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