Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

No fim-de-semana passado, o semanário Expresso noticiou na sua primeira página um grande furo jornalístico: setenta artistas vivem, têm ateliers ou ambas as coisas, em casas da Câmara de Lisboa e nenhum acha que esteja a cometer uma ilegalidade. Desde criança, sempre ouvi falar das dificuldades e a falta de futuro esperada por aqueles que se dedicam à Arte. Também tinha ouvido falar da falta de apoios privados ou estatais aos artistas em geral e aos sem sucesso em particular, e que parecem ser muitos. Ler este artigo foi um choque para mim. Então aquela história de que a miséria dos artistas em geral e os não reconhecidos comercialmente em particular não se verifica, pois afinal estão a viver à grande e à francesa em luxuosas habitações camarárias destinadas para outros fins. Os artistas não são vereadores sem abrigo nem jornalistas em maré de azar nem executivos à espera duma oportunidade. É um escândalo. Desde quando um organismo estatal apoia impunemente os artistas? Nem parece o Portugal a que estamos acostumados. Isto é uma vergonha municipal que devemos pôr cobro! O Expresso denunciou uma injustiça social que deve ser reparada urgentemente. Todos estes mimos municipais podem dar cabo da nossa cultura. Desde quando podemos nos dar o luxo de ter artistas saudáveis e confortáveis? Por acaso Fernando Pessoa teve algum subsídio? Os génios em todo o mundo viveram na miséria e morreram com nojentas doenças como tuberculoses, cirroses, sífilis. Com dignidade, muitos deles até se suicidaram para não serem uma carga para o Estado ou para as suas famílias ou por já não terem dinheiro para ir aos bordéis. A jornalista do Expresso tem razão. É prioritário aumentar as rendas, se é que alguns desses bandidos paga alguma renda, dos ateliers explorados por essa escória. Os artistas têm de sofrer, se querem ser reconhecidos depois de mortos. Basta de mimos municipais a esses malandros. Ainda bem que temos uma imprensa que se preocupa com o erário público. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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Comentários:
De ana cristina leonardo a 12 de Outubro de 2008 às 23:52
assino por baixo; em vez de ateliers deviam-lhes alugar uns quarteirões de terra no cemitério dos prazeres. ao preço do mercado.


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