Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Amanhã vai a votos na Assembleia a super-fracturante e hiperconflituosa lei sobre o casamento dos homossexuais. Os deputados do PS estão a receber centenas de e-mails com um apelo para que "abandonem a sala" no momento da votação dos projectos de lei do Bloco de Esquerda sobre os casamentos homossexuais. Lembro que uma maioria dos deputados socialistas aprovou na quinta-feira a disciplina de voto contra os projectos sobre estes casamentos. Acredito que muitos portugueses vão estar nervosíssimos a roer as unhas durante a votação. Entretanto, em Braga soube dum casal com seis filhos que, continuando a viver juntos, se separaram legalmente para pagar menos impostos. Tudo porque o Estado através do regime de tributação de IRS em relação aos encargos com os filhos não permite descontos fiscais. A não ser que sejam famílias monoparentais, que é como quem diz, de pais separados ou divorciados, que podem descontar o valor da "pensão de alimentos". O casal de Braga é uma lição de maturidade fiscal para todos nós e, num futuro próximo, para todos os homossexuais casadoiros. Confirma aquela história de que ninguém está contente com aquilo que tem. Por outro lado, podemos aprender com estes exemplos aparentemente antagónicos. Primeiro: ter seis filhos é um luxo. Segundo: mesmo em Braga, podemos enganar o fisco. Terceiro: se alguém quer deixar o seu cônjuge, ter um filho é uma maneira carinhosa de o fazer. Os homossexuais também podem aprender com a experiência milenária dos heterossexuais. Os três primeiros ensinamentos também podem ser aproveitadas por essa comunidade discriminada. Mas devem acrescentar mais duas. Borrifem-se para tudo o que decida a Assembleia da República. O importante não é o que os deputados pensam sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas o que pensa o Ministério das Finanças sobre o dito cujo. Falem com o vosso contabilista e manifestem-se depois. Por último, peço a todos os afortunados homossexuais portugueses que aproveitem agora, porque mais tarde ou mais cedo o casamento, igualmente para eles, vai deixar de ser um sonho para ser mais uma dívida. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:43
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Comentários:
De filomeno a 11 de Outubro de 2008 às 12:21
El Señor Comentador emplea una fina ironía digna de Don Francisco de Quevedo y Villegas


De Mosca a 13 de Outubro de 2008 às 19:46
O casamento pode estar pelas ruas da amargura, mas como instituição legal que é, deve servir ou prejudicar os seu cidadãos na totalidade. Fracturante é separar a nossa comunidade em duas, uma heterossexual com acesso ao casamento civil, e outra homossexual, de segunda, que continua a ter de ver as suas relações marginalizadas.
Se existe uma lei que fractura a nossa sociedade e não respeita parte dos seus cidadãos, é urgente mudá-la.


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