Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Agora que se aproxima a data das eleições para o Presidente dos Estados Unidos, comentadores e jornalistas no mundo inteiro condenam a prática dos candidatos da chamada campanha negativa. O argumento destes defensores do debate ideológico é simples. Para eles a discussão política e o esclarecimento das posições políticas divergentes tem de continuar até ao último momento de campanha em benefício da informação dos eleitores. A campanha negativa, que nada mais é do que lavar a roupa suja do rival, consiste em evitar os temas de fundo e baixar o nível da discussão política. Não há dúvida de que é um argumento muito giro mas sobretudo defendido por pessoas que nunca foram casadas. Quem me dera que as discussões com a minha mulher fossem assim: um debate de esclarecimento de ideias. No fim, dávamos as mãos, íamos a votos e eu votava em mim e ela votava nela. Felizmente, sempre que há uma divergência, fazemos a dita campanha suja. Nalgum momento deixo cair um “estás igual à tua mãe”, ao que a minha mulher responde com um “pelo menos ela nunca vendeu cinco vezes o Padrão dos Descobrimentos como o teu pai”. E assim por diante, sempre a descer, até que segundos antes do homicídio de um dos dois, fazemos as pazes e tudo acaba bem. Com os políticos é mais ou menos a mesma coisa. Numa dada altura, o debate de ideias para ser útil tem de ser rigoroso. Isso implica esforço intelectual, conhecimentos e termos técnicos. Nesse preciso momento, os eleitores mudam de canal e vêem a telenovela que é mais fácil de seguir. Obama e McCain já disseram tudo o que tinham a dizer. Agora é só chapinhar nas lamas um do outro à espera que esta estafa das eleições finalmente termine. Os indecisos, se é que ainda restam alguns, votarão em quem tiver mais piada na peixeirada, ou em quem tiver ficado mais giro no enxovalho. Qualquer discussão tem um limite a partir do qual quem não perde a cabeça é culpado ou má pessoa. Pela minha parte, digo: pois que a campanha negativa seja bem-vinda! É nestas ocasiões que se vê de que são feitos os homens. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:41
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