Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

O Ministério Público, que funciona junto do Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa, fez várias acusações sem ter o resultado final dos exames periciais para confirmar, por exemplo, que a apreensão feita a um indivíduo era efectivamente droga ou que tipo de arma este tinha utilizado num crime. As situações aconteceram em casos em que o Ministério Público requereu o processo sumário, o que obriga a que a acusação seja feita em apenas 48 horas. Acontece que o Laboratório de Polícia Científica, o CSI cá do sítio, tem oito dias para entregar o relatório. Vamos pôr de parte a primeira coisa estúpida do assunto que é saber quem foi o génio que não previu esta falta de coordenação evidente. No entanto, há que reconhecer que este tipo de falta de jeito para organizar acções em conjunto faz parte do nosso modo de vida. Lembremos a pen do Ministro das Finanças. O aeroporto da Ota do nosso impagável Ministro Lino ou a recente descoordenação da distrital de Lisboa com a líder do PSD no caso de Santana Lopes. Mas em política uma aparente descoordenação pode ser parte dum plano superior conhecido só pela elite maquiavélica dos dirigentes. Mas continuando com o caso dos julgamentos sumários, há mais uma estupidez que não é de todo portuguesa. Os casos divulgados falam de falta de confirmação se o produto apreendido era ou não droga ou qual era o tipo de arma utilizada pelo arguido. A minha pergunta é simples: é preciso um cientista para perceber se era droga ou farinha? É preciso ser doutorado em balística para distinguir uma arma proibida duma fisga? Não estou a querer ofender de maneira nenhuma os direitos dos suspeitos nem proponho que a polícia acuda a meios ilegais para fazer justiça. Mas é uma vergonha para o nosso ser português que a polícia não tenha tido uma ideia para superar esta falta de colaboração do CSI de Lisboa. A outra solução, embora não seja propriamente portuguesa, é fazer como fazem naquelas séries de televisão: ninguém dorme no Laboratório Científico de Las Vegas ou Miami. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:42
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