Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Há uma dúvida terrível no mundo diplomático europeu: a Chanceler alemã Angela Merkel afinal queixou-se ou não dos modos carinhosos de Nicolas Sarkozy quando a cumprimenta? Foi o jornal suíço Le Matin que lançou a notícia que a valquíria teria informado a embaixada alemã em França de que não gostava da efusividade do presidente gaulês. Como diria um camponês francês: «peut-être bien que oui, peut-être bien que non». Mas a incerteza da veracidade da notícia não lhe retira credibilidade. Sarkozy é uma personagem aparte no conjunto dos líderes europeus. Basta vê-lo nos telejornais durante os momentos mais inofensivos de uma qualquer reunião protocolar. O homem é um ansioso evidente. Não pára quieto um segundo. E, como qualquer desassossegado patológico, é um efusivo compulsivo. A sua expressividade é um fogo-de-artifício que usa para preservar a sua intimidade. Exactamente da mesma maneira que uma pessoa fria e inexpressiva esconde aquilo que se lhe passa pela cabeça ou que, no pior dos casos, sente. Não estou a falar de hipocrisia ou calculismo. Apenas de formas sinceras de relacionamento. Alguém interpretou o incómodo de Angela Merkel como a ancestral incompatibilidade nórdica com os mediterrânicos. Merkel é protestante, alemã e nórdica. Mas Sarkozy tem um pouco de latino: pai húngaro, mãe judia e, embora tenha sido educado no Catolicismo, isso aconteceu em França. Não podemos dizer que seja a Meca da latinidade. Eu acredito que, se a notícia for verdadeira, o problema é que Merkel simplesmente não suporta Sarkozy, seja ele siciliano ou sueco. Por outro lado, perguntou-me qual pode ser o problema dela. Ser vítima dos afagos do mesmo homem que afaga Carla Bruni? Quem acha Angela Merkel que é? A Claudia Schiffer? Até devia ficar vaidosa do carinho do Sarko. Sua gorda anti-semita. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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