Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Reparei esta semana que muitas pessoas dedicaram o seu tempo e a sua atenção ao tema dos jovens e o álcool. Tudo começou com um questionário realizado pela Cruz Vermelha responsável pelo projecto – e peço-vos que atentem no nome do projecto: “Copos – Quem Decide És tu”. Esta bem intencionada gente fez uma pesquisa que levou à conclusão de que a maior parte dos jovens portugueses conhece os riscos do consumo do álcool. Mas não totalmente. Quer isto dizer que não sabem tudo aquilo que se diz. Tudo, mesmo tudo. Este lapso informativo foi concluído a partir da pergunta: “O álcool é uma droga?” Grande parte dos inquiridos, conhecedores dos prazeres etílicos, afirmaram que não. Conclusão dos pesquisadores: os jovens não conhecem os riscos do álcool. Eu não sei há quantos milhares de anos a nossa civilização conhece o álcool, mas sei que são uma data deles. Li nalgum lado que já os egípcios bebiam cerveja antes de os hebreus trabalharem na construção civil no Egipto, o que faz mais de quatro mil anos. Calculo que já havia alcoólicos nessa altura. E também calculo que se perguntássemos há três mil novecentos e vinte anos a um puto egípcio se o álcool é uma droga, com certeza também diria que não. O mesmo aconteceria se lhe perguntássemos a um adolescente do império romano ou a um rapaz manuelino. A minha conclusão, sem ser pago por nenhuma organização de beneficência, é que nunca os jovens souberam bem os riscos do álcool. Qual é o enigma do alcoolismo? O problema não é verificar aquilo que é obviamente ancestral. A nossa civilização foi fundada com álcool. Contudo, aprendemos que se fundamos a civilização ocidental todos os dias, os riscos de nos tornarmos alcoólicos aumentam consideravelmente. E uma coisa é caminhar bêbado, outra é andar a cavalo bêbado, outra é conduzir uma diligência bêbado, e assim por diante até conduzir um Porsche descapotável às quatro da manhã num estado lastimável. Preocupar-se se o álcool é uma droga ou não é uma perda de tempo. Basta ensinar que quase tudo o que é bom, não se pode fazer todos os dias. O sensato é saber e poder fazer aquilo que é bom todos os dias. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:36
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