Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

A sexualidade de Jörg Haider, líder da extrema-direita austríaca, foi a notícia de maior êxito comercial da passada semana. Teve todos os elementos para interessar a qualquer sector jornalístico: a imprensa rosa, a amarela, a dedicada à política e até as revistas especializadas em carros. Primeiro, foi a notícia de que tinha morrido num acidente de automóvel. Logo soubemos que o desastre de viação aconteceu porque ia a uma velocidade superior à permitida. Ao dia seguinte, foi anunciado que o homem estava alcoolizado. Passaram alguns dias, houve um funeral de Estado em que um militante fervoroso até comparou a morte da princesa Diana com a do seu líder. Naquele momento, devíamos ter suspeitado que alguma coisa estava errada. Todos tirámos essa ideia da cabeça com um “nãããã, só pode ser exageros de fanáticos”. Mas, depois foi confirmado que naquela noite, Haider tinha estado num bar gay. No penúltimo capítulo da dramática telenovela foi revelado que o número dois do partido radical de Haider, o senhor Stefan Petzner, confessou numa entrevista que foi o seu amante numa longa relação. Por último, a mulher de Haider, Claudia, exigiu uma segunda autópsia porque não aceita que digam do seu marido que estava alcoolizado quando morreu. Como é óbvio, a parte menos interessante é sabermos se estava ou não alcoolizado. Mas vamos respeitar a viúva e aceitar que é um escândalo sujar o nome do marido, afirmando que além de bicha era alcoólico. Contudo, não esqueçamos, que está longe de ser provado que a homossexualidade causa acidentes de carro. Já o mesmo não podemos dizer do excesso de álcool. O que nos leva a pensar que a viúva acredita que não foi um acidente mas talvez um homicídio perpetrado pela esquerda homofóbica ou pelos serviços segredos austríacos, igualmente homofóbicos. Mas julgo que não interessa nada saber as causas o acidente, até pode ter sido erro do fabricante do carro, que, por sinal, é a Volkswagen, empresa por que tenho uma grande estima. O mais preocupante de todo este incidente, é a sinceridade sexual de Haider. Ter-se-á tornado homossexual por causa da mulher? Quem tenha estado atento à feminilidade de Claudia nestes últimos anos até poderia compreender a mudança. Será que dentro de todo o extremista de direita, já para não dizer nazi, há um esquerdista? O amor proibido entre aqueles dois líderes austríacos poderá provocar alguma ternura entre os adolescentes românticos? São muitas interrogações para esta minha pobre cabeça. Acredito que nestes dias, os skinheads austríacos devem estar a sofrer uma crise de identidade. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:39
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