Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

A Madeira nunca vai me deixar de surpreender. O caso do deputado José Manuel Coelho do Partido Nova Democracia, PND para ser mais breve, provocou uma situação extremamente interessante. Como é sabido exibiu uma bandeira nazi no parlamento regional como forma de protesto contra, segundo o próprio, o autoritarismo da maioria PSD naquela assembleia. Não vou perder tempo a explicar que, muito embora estivesse no seu pleno direito, o deputado Coelho não tem a menor ideia do que é o nazismo. Contudo, o gesto do homem é para mim uma revelação ideológica. O PND é um partido de direita. Até, talvez, de uma direita radical e não há pouca gente que o julgue mesmo de extrema-direita. Nada que não tenha sido inventado antes. Como acredito na liberdade das pessoas, não há nada a assinalar nisto. Mas imaginemos que o protesto tinha sido feito por um deputado do Bloco de Esquerda, e pelas mesmas razões: o autoritarismo da maioria, etc., e exibisse na assembleia uma bandeira comunista. Todos julgaríamos pelo menos bizarro. É o que me acontece com o deputado Coelho. Acredito que o PND não é nazi tal como o Bloco não é comunista. Mas daí a chegarmos ao ponto de o PND achar que o maior dos insultos é acusar o PSD de fascismo é como o Bloco de Esquerda acusar o Partido Socialista de ser comunista soviético. Pedagogicamente, isto não é nada bom e pode baralhar a nossa juventude, que já de si, como disse Cavaco Silva, não está muito atenta à política. É preciso que os partidos tenham um bocadinho de rigor ideológico nos seus protestos para não baralhar os espíritos mais frágeis. O CDS não pode acusar Sócrates de ser salazarista como o PSD não pode acusar o governo de serem todos uns fanáticos cavaquistas. Só faltava que o PC acusasse Sócrates de ser um lacaio do Socialismo. Haja bom senso. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:18
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