Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Não há bons momentos para dar más notícias. Mas isto não significa que devemos comunicar as más notícias nos maus momentos. O Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou na Assembleia da República que o governo já há algum tempo sabia das irregularidades existentes no Banco Português dos Negócios e que tinha ocultado a notícia para não alarmar o mercado bancário nacional. Isto fez-me pensar que o sistema financeiro é como um conjunto de meninas sensíveis. Não se pode dizer nada que as contrarie porque podem começar aos gritos ou como boas hipocondríacas a sentir que também elas estão doentes. Imagino o BES alarmado: “O que é que eu faço? O que é que eu faço?”, e a ligar para a amiga Caixa: “Ouviste que o que aconteceu ao BPN? Coitada”. E a Caixa a dizer: “Já te tinha avisado. Sempre foi uma louca. A mim nunca me enganou. Por alguma razão a Totta Santander, que sabe muito, nunca a convidou nem sequer para comprar um prédio na Buraca”. Para evitar este pânico bancário, o ministro esperou estrategicamente pelo momento oportuno para lhes contar a má notícia. A festa da crise veio mesmo a calhar. Estavam todas preocupadas com o que haviam de vestir na festa temática dos produtos tóxicos e empréstimos mal parados, quando o Teixeira anunciou o triste destino do BPN. Apanhadas noutros mesteres, não ligaram nenhuma. “Que pena!”, comentaram. “Logo agora que vamos ter a festa do ano! Tudo quanto é banco vai lá estar e o BPN só agora sabe não vai poder vir? Que se lixe, já que foi tão gananciosa” e continuaram a produzir-se para ficar mais giras para o Euribor, que é um querido. Eu sei que não se pode dar emoções humanas aos animais e muito menos aos mercados. Mas não fui eu que comecei. Foi o Ministro que não quis alarmar o sistema, para evitar que fique nervoso. Eu não inventei nada. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:22
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