Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

O encontro entre Dias Loureiro e António Marta sobre o tema do BPN está a provocar a polémica que todos sabem. Quem disse o quê parece ser a primeira preocupação. O semanário Expresso titulou, no meu entender de uma maneira errada, com a pergunta: “Quem mente no caso BPN?”. Disse errada porque a pergunta correcta é saber qual é a verdade. Não é um trocadilho de lógica; é apenas uma verificação dos factos. Se Dias Loureiro disse o que disse ou se tivesse dito o que Marta diz que disse, a única verdade indiscutível é que os dois estão de acordo num aspecto: ambos falaram do BPN. Isto foi em Abril de 2002. O que pode significar só duas coisas: ou que o ex-vice-governador do Banco de Portugal foi informado pelo ex-ministro de Cavaco Silva da sua apreensão pela administração do BPN ou que António Marta já sabia na altura que aquele banco merecia uma investigação. Seja o que for que foi dito uma coisa é certa: há mais seis anos o Marta pouco fez para esclarecer a falta de transparência da tal administração bancária ou pouco fez para acelerar a investigação. A preocupação mostrada pelo Dias Loureiro naquela reunião, seja por causa da falta de investigação às contas do BPN ou por excesso de vigilância por parte do Banco de Portugal, só prova que Dias Loureiro estava apreensivo. Sentimento este que se aplica a qualquer pessoa que estivesse no seu lugar. Mas os seus sentimentos ou palpites são indiferentes para nós. Não para a Polícia, claro. Menos compreensível é que António Marta, na altura vice-governador do Banco de Portugal, sabendo o que disse – que sabia a reconhecida existência de falta de transparência do banco – ou sendo informado pelo Dias Loureiro naquela reunião, que havia motivos de preocupação pelo BPN, não tenha tomado nenhuma decisão visível que mostrasse o seu empenho profissional ou a sua função fiscalizadora. Isto pode não ser importante para a Polícia, mas é importante para nós. Seis anos para indiciar uma administração de actividades ilícitas é muito tempo. Nem que o BPN fosse a Casa Pia. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:36
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