Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

No último fim-de-semana houve vários exercícios de simulacro de sismo na zona de Lisboa e arredores. O balanço final foi que há falhas de comunicação entre as diferentes organizações e instituições que dependeriam da Autoridade Nacional de Protecção Civil. Nada que nos surpreenda. Falhas de comunicação é coisa que não nos falta, mesmo em momentos muito mais calmos do que aqueles que se poderão viver no meio dum sismo. Mais assustador para mim é que a visita do Presidente da Federação russa, Dimitri Medvedev, tenha provocado mais perturbação nos lisboetas do que qualquer simulacro de sismo, mesmo com a magnitude de 6,7 na escala de Richter. Francamente não percebo porque é que os organismos que devem actuar em caso duma catástrofe daquelas têm de publicitar os seus simulacros ou mesmo de os fazer em lugares públicos com gente da área. Parece-me justo que a terem de fazer um ensaio de tremor de terra numa cidade, que levem a que todos os habitantes participem de modo a que todos saibam depois o que fazer. Senão, há pessoas que podem julgar que são excluídas ou que outras foram escolhidas para sobreviver. Por outro lado, como julgo que é impossível parar uma cidade para que a Protecção Civil descubra que tem uma deficiente gestão de informação e outras incompetências, parece-me mais económico para todos que eles façam os seus simulacros no Ribatejo, onde não incomodam ninguém. Podiam aprender a técnica com as nossas Forças Armadas. Desde o século passado sabemos que em caso de guerra é inevitável que as populações civis não sejam poupadas. No entanto, fazem os seus exercícios militares sem nos incomodar nem nos informar das suas fragilidades nem que têm falhas de comunicação. A Protecção Civil deve aprender a fazer as coisas sem provocar o pânico na população. Se têm problemas, nós não queremos saber. Só queremos que os resolvam. Já temos trabalho suficiente a convencermo-nos de que não vivemos numa zona sísmica. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:31
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