Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Estou convencido de que é muito difícil, após tantos milénios de civilização, inventar alguma coisa nova. Sobretudo em termos criminais. Não conto, claro está, com os crimes financeiros ou estupidamente chamados crimes de colarinho branco. Estes crimes renovam-se sempre e aperfeiçoam-se. Os crimes violentos é que são sempre os mesmos, sejam com facas ou com pólvora ou com as chapadas ancestrais. Uma coisa relativamente nova é apenas o conhecimento destas ocorrências duma maneira mais acessível. Nenhum jornal do século dezanove podia sequer se aproximar ao nosso Correio da Manhã ou ao 24 Horas. Curiosamente, agora que temos mais informação parece que temos menos amigos ou familiares. É a única explicação sucinta que encontro para a proliferação de linhas SOS. Anunciaram que está a ser preparada a uma linha telefónica de apoio aos pais que são maltratados pelos filhos, que deverá denominar-se SOS PAIS, para apoiar as vítimas deste problema cada vez mais frequente ou, pelo menos, cada vez mais divulgado. As linhas SOS são muitas. Há para todos os gostos ou para ser mais exacto para quase todo o tipo de vítimas. Digo “quase” porque ainda faltam algumas, como por exemplo irmãos mais novos maltratados pelos irmãos mais velhos, sportinguistas maltratados pelos árbitros, deputados dos verdes maltratados pelo Sócrates, e muitas outras minorias maltratadas por outras maiorias abusivas. Não conheço os resultados destes serviços de apoio às vítimas mas acredito que mesmo que a percentagem de sucesso seja mínima, justifica a sua existência. Mas não deixa por isso de ser uma vergonha que uma pessoa maltratada só possa falar com um desconhecido. Vá lá que ainda não houve um génio da gestão de recursos humanos que não teve a ideia de centralizar as linhas. Seria um horror ligar e ouvir uma voz a dizer: se foi espancada pelo marido, prima 1. Se foi abusado por um dos seus pais, prima dois se é rapariga, prima três e assim por diante. Pelo menos ainda não chegamos aí. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:30
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