Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

O Congresso do Partido Comunista Português não só foi um êxito como se tratou de um exemplo para todos os outros partidos. Que saudades tinha eu de ver um congresso partidário unido, sem tendências internas nem polémicas perturbadoras. Goste-se ou não, o PCP é um sólido pilar que nos lembra a época das famílias patriarcais em que os filhos obedeciam aos mais velhos e os velhos não tinham medo de se dirigir aos jovens. Como é normal, sempre que há um congresso comunista, a comunicação social preocupou-se com as petites histoires mesquinhas. Como terem sido insensíveis para os seus aliados, os Verdes, ao organizar o congresso numa Praça de Touros. Uma crítica ridícula. Quanto mais se use esse local para galas, programas de televisão e congressos, menos touros serão torturados às mãos da oligarquia terra-tenente. O Comité Central também foi criticado por ter escolhido os seus membros numa sessão fechada à comunicação social ou que os seus militantes se sentiram umas vítimas de coacção por serem obrigados a votar em segredo e não com o tradicional, histórico e exibicionista braço no ar. Balelas ou inveja, sei lá. Só não concordei com a Odete Santos quando evocou o recente caso de dois militantes da JCP que foram condenados ao pagamento de 350 euros por terem pintado o lema dos jovens comunistas, "transformar o sonho em liberdade", num viaduto em Viseu. Para mim foi um momento dispensável. Primeiro, porque o lema é de uma pobreza literária que até o Cunhal detestaria, além de ser uma incongruência psicanalítica. Por outro lado, escrever nas paredes não é bonito. E por último, e mais importante, porque esses jovens insultaram a memória da luta clandestina, uma especialidade, como é bem sabido, do nosso PCP. Terem sido apanhados a pintar um lema num viaduto pouco utilizado em Viseu é prova de incompetência revolucionária. Não são heróis nem vítimas da repressão. É apenas um grupo de inúteis que não pode ter lugar num partido com a história do PCP. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:19
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