Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
Ao contrário da promessa eleitoral, o primeiro-ministro José Sócrates decidiu propor a ratificação do Tratado de Lisboa por via parlamentar. Toda a gente, sobretudo a oposição, ficou escandalizada. Mas ficaram escandalizados porquê? Assim parece que todos os anteriores governos sempre cumpriram as promessas feitas. Ou, para não ir mais longe, nenhum de nós sequer alguma vez mentiu ou desobedeceu aos pais. Penso que devemos estar gratos a José Sócrates por nos ter poupado semanas de debate estéreis e incompreensíveis e, ainda por cima, irrelevantes para a nossa condição de eleitores. Não conheço uma única pessoa que tenha mudado a sua intenção de voto por causa dos debates ou das supostas sessões de esclarecimento. Alguém se imagina a ler o calhamaço do Tratado de Lisboa para formar uma opinião própria? Sejamos sinceros. Se fosse convocado o Referendo, teríamos votado a favor ou contra o Tratado por todas as razões possíveis entre quais nenhuma incluiria o conteúdo do próprio Tratado. Teríamos querido apenas confirmar ou defenestrar o governo. Portugueses, não promovam o voto neurótico nem encoberto. Sócrates foi corajoso. Se no futuro o Tratado se revelar um desastre do tamanho da Europa, todos saberemos de quem é a culpa e não será nossa. Nem sequer de Sócrates. Ou haverá alguém na sala, ou na Assembleia da República ou no Governo, com a mania das grandezas?


Publicada por Carlos Quevedo às 22:38
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Comentários:
De Rui Vasco Neto a 14 de Janeiro de 2008 às 23:23
Grande Quevedo!

Venho parar aqui pela obra e graça do nosso Major, (não é o valentim, é o Guedes simultâneo).
Nem te pergunto se estás bem. Isso lê-se. Ou vê-se, se for ceguinho...
(Che, sou homem para me pendurar no jantar...)
Abraço!

rvn


De Ana Cristina Leonardo a 10 de Janeiro de 2008 às 02:16
a mania das grandezas na europa já deu duas valentes guerras e com tratados bem mais compreensíveis.


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