Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Finalmente, a Lei da Paridade foi promulgada. Esta lei obriga a que as listas plurinominais dos partidos não possam incluir consecutivamente mais de dois candidatos do mesmo sexo. Quer dizer, dois homens, uma mulher. Por mim, nada contra. Até me parece humilhante que seja preciso fazer uma lei para que as mulheres sejam tidas em conta nas listas. A obrigatoriedade das quotas mínimas, os tais 33%, é que me perturbam. Os partidos têm de ter mulheres nas suas listas ou perdem subsídios, regalias, terão multas e sei lá que mais. A lei original, que foi vetada pelo Presidente, até propunha desclassificar o partido que não cumprisse o exigido. Eu, se fosse mulher, e entrasse nas listas ao abrigo desta lei até me ofendia. Mas isso sou eu, que não gosto que me convidem para nada por obrigação. Isto lembra-me quando as Ladies Nights foram moda em bares e discotecas. Mas ao menos, a troco de não pagarem as bebidas, as raparigas enchiam aqueles lugares. Ah, bons tempos. O que nós nos divertíamos. Mas voltando às ladies na Assembleia: temo o pior. Até porque vai ser difícil controlar um parlamento ou uma autarquia onde um terço não pode ser posto em ordem, sob pena de o rigor da lei cair nas cabeças falocráticas dos nossos tradicionais governantes. Por outro lado, um político não se faz de um dia para o outro. Há que começar a fazer fotocópias desde pequenino, depois ir para a rua distribuir panfletos, em seguida intervir activamente na comunidade ou no local do trabalho, e assim por diante, até que morra ou se elimine politicamente a pessoa que está à nossa frente. E, mesmo assim, não há garantias. Percebo a ideia da lei, mas duvido que uma discriminação positiva à força seja uma boa ideia. Mais valia aumentar os salários e benefícios dos lugares políticos, desde que ocupados por mulheres, congelar os salários dos mesmos lugares ocupados por homens, e assim, tenho a certeza de que já nas próximas eleições teríamos uma assembleia só de meninas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:19
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