Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Na sexta-feira passada, o Governo podia ter vivido um filme de terror. Se vinte e oito deputados do PSD tivessem comparecido na Assembleia, a proposta do CDS de suspender a avaliação dos professores podia ter passado. Isto sucederia também porque faltaram treze deputados socialistas e seis votaram com a oposição. O que teria acontecido a seguir faz parte da ficção, mas que tinha sido bom para todos, lá isso tinha. Acredito que até Sócrates teria ficado contente. O conflito entre os professores e a Ministra da Educação terminava e a culpa seria dos faltosos ou dos rebeldes e pronto: passava-se a outra coisa. A oposição teria tido um momento da glória que tanto precisa para levantar o moral, os professores deixavam de passear em massa e de fazer greves e os alunos casavam-se e eram felizes para sempre. Teria sido um verdadeiro conto natalício. Claro que os socialistas podiam ter contestado a derrota e exigir uma votação por bancada, método que respeita a proporcionalidade dos grupos parlamentares. Mas isso não tinha tido graça nenhuma e seriam acusados de mal perder. Mas basta de sonhar e aceitemos a realidade aborrecida de termos um governo com maioria absoluta que impede qualquer momento de incerteza e agitação. Já lá vão os tempos em que víamos os debates com pipocas e o nervosismo próprio de não sabermos se ganhavam os bons ou os maus. O mais antipático de tudo é que até os deputados perderam a ambição de protagonismo. Que sejam faltosos, é compreensível. Pouca gente gosta de ir ao trabalho. Faz parte da nossa cultura e do nosso encanto. Mas não querer ser estrela quanto mais não seja por uma tarde, ou uma votaçãozinha sequer, é que não é aceitável. Manuel Alegre é um exemplo a seguir em todas as bancadas não socialistas: não perde uma e está lá, nem que seja só para chatear. Ninguém espera que a oposição ganhe o campeonato, mas pelo menos que jogue alguma coisa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO