Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Ontem foi um dia excitante. Estava eu tranquilo no meu sofá quando oiço às 15h14 o tique-tique-chaque do meu telex. Era uma notícia urgente da Lusa. Dizia: “Vítor Constâncio afirmou no almoço promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-espanhola, que a economia portuguesa não está em recessão técnica”. Ainda bem – disse eu para o meu gato – vais continuar a comer essa comidinha americana, muito cara, que vem do Kansas e é boa para os rins. Às 16h36 de novo o barulho do telex. “Afinal, Vítor Constâncio admite recessão técnica no final deste mês. Foi afirmado pelo Governador do Banco de Portugal à saída do almoço da Câmara de Comércio e Indústria Luso-espanhola”. Ena, pá! Ainda bem que a Lusa só é acessível a profissionais. Uma informação destas nas mãos de pessoas sem formação profissional adequada podia ser um escândalo. Não gostava nada de ser o Governador do Banco de Portugal, a andar na rua e a ouvir um trolha a dizer: “Olha o Constâncio. Isso é que foi um almoço, hã? Antes do vinhinho tudo bem e depois de dar com a língua nos dentes… Seu malandro!” Pode não ser politicamente correcto, mas há informações que só podem ser dadas a pessoas com uma certa preparação. A mim, por exemplo. Este incidente é uma prova de que Constâncio nunca pára. Vê-se na cara que só pensa nisso. Acredito que antes do almoço não estávamos em recessão técnica. E acredito também que deve ter recebido um sms dos seus mais competentes colaboradores a dar-lhe os últimos números mesmo ante de sair do almoço. Foi com muita coragem que uma hora e quinze minutos depois de assegurar que não estávamos no ponto onde toda a Europa e os Estados Unidos estão, afirmou que afinal estávamos ao lado dos tais países civilizados. Só espero que o Constâncio tenha tido tempo durante o café e os digestivos de bater com um talher no copo até fazer silêncio e dizer aos membros da Câmara do Comércio e Indústria Luso-espanhola: “Esqueçam o que eu disse, coño. Acabo de saber que estamos numa recessão de la puta madre”. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:11
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Comentários:
De ana cristina leonardo a 17 de Dezembro de 2008 às 23:09
e o gato ficou-se?!


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